O Caminho de Finisterra, além de ser um dos Caminhos de Santiago, é o único com o ponto de partida na cidade de Compostela. Ou seja, o caminho depois do fim que une e conduz ao marco zero da caminhada.

Dessa forma, ainda no início da primeira etapa, ao ver a catedral de Santiago desde o alto de uma colina, o peregrino se detém por alguns instantes num olhar de “até breve” àquela que fora, por bastante tempo, a meta a ser alcançada. Porém, agora vista por um outro prima, sob um olhar singular do peregrino que relembra a jornada que ficara para trás.
O que significa, acima de tudo, um crescimento, um passo a mais na caminhada da vida que agora segue outros caminhos.

o fim da terra e muito mais…

O encontro da terra com o oceano desperta interesse há séculos, pois muitos são os mistérios e simbolismos guardados pelo tempo em Finisterra. De modo que pode ser que as Pedras Sagradas, tenham mais relação com o significado da concha, símbolo do peregrino, do que o mar em si. Além disso, há outros símbolos ligados ao Cabo Finisterra, na Galicia, Espanha.

a origem da concha do peregrino e as Pedras Sagradas

Segundo estudos, quando os romanos chegaram ao Cabo de Finisterra, encontraram um altar dedicado ao Sol, “Ara Solis” construído pelos Fenícios. Por outro lado, há quem atribua a criação deste altar aos próprios romanos. No entanto, a lenda diz que quem o destruira, fora o apóstolo Santiago.

Em meio a tudo isso, sabe-se que a arquitetura do altar seguia padrões gregos, porém os diversos cultos realizados nessas pedras sagradas estão associados às Deusas, desde os celtas aos romanos. Deusas da prosperidade, fertilidade e colheitas abundantes. Entre elas, a deusa Venus romana, Afrodite na Mitologia grega, e a Deusa celta Orcabella.

Posteriormente, com a destruição do altar e construção da igreja de São Guilherme, hoje em ruínas, o culto a essas Deusas teria sido substituído pelo culto à Nossa Senhora. Enquanto o símbolo da concha, foi transformado em símbolo do peregrino de Santiago, a antiga prova de ter estado naquele fim do mundo.

Sendo assim, o simbolismo original da concha não seria exatamente o encontro com o mar mas, o culto à Deusa Mãe.

Botas e concha do peregrino
rituais do peregrino no fim do mundo

Além disso, há rituais que aumentam a conotação mística de Finisterra. Entre eles, o banho no mar e a queima das vestes, ações de quem chegava ao fim do mundo. 

Todavia, além de antigos cultos pagãos, ao considerarmos que na Idade Média os hábitos de higiene eram outros, fica fácil deduzir que depois de tantos dias de caminhada, tanto o corpo como suas vestes, bom aroma não deveriam ser suas características. Assim sendo, esse encontro com o mar era, no mínimo, providencial. 

Contudo, atualmente o ritual de qualquer queima é proibido, devido ao risco de incêndio. Sobretudo, considerando o grande número de peregrinos. Já o banho não apenas é apreciado como recomendado.

Vista da Catedral de Santiago, Caminho Finisterra
Peregrinos, Caminho Finisterra
Peregrina a caminho de Finisterra
Peregrina no meio da plantação de milho
Peregrinos no Caminho de Santiago a Finisterra
Peregrinos, Caminho de Finisterra
Cruzeiro, Cabo Finisterra
Pôr do sol, Cabo Finisterra
alguns passos a mais
a primeira etapa, depois do fim

Destaca-se no Caminho de Finisterra, como característica muito peculiar, o encontro de peregrinos provenientes dos mais diversos caminhos. Renovando a magia e, eventualmente, ajudando a recompor corações partidos da despedida de companheiros na jornada anterior.

Além disso, um novo olhar move o peregrino depois de tudo que vivera. Afinal, é hora de pôr em prática tudo que aprendera em outro caminho e tornar a aprender coisas novas, como se fosse o início. Descobrindo que o caminho nunca acaba mas, é possível percorre-lo de forma mais leve, que na primeira vez.

novos companheiros de caminhada

Provavelmente é do Caminho Francês que vem o maior número de peregrinos, a seguir, os provenientes dos caminhos portugueses e outros. Assim, todos alinham a passada no mesmo caminho junto com os que iniciam em Santiago sua experiência.

Volta-se à típica rotina: tirar as botas, duchar-se, abrir o saco-cama, lavar e estender roupas. Tudo a tempo de beber uma cerveja com alguém que acabou de conhecer e já partilha histórias, como se fossem velhos amigos de caminhada.

Ao fim da primeira etapa, rótulos sobre estilos de peregrinos vs caminho que percorrem deixam de existir. Pois, o conceito de unidade faz mais sentido que qualquer diferença entre caminhos.

Pedras pintadas
sinais e escolhas

Mas nos caminhos as escolhas são uma constante e, na etapa depois de Oliveira, o Caminho de Finisterra apresenta duas direções para alcançar o mesmo objetivo. Neste caso, uma direção que segue direto a Finisterra, enquanto outra segue até Muxia. Dois marcos, lado a lado, direcionando pontos opostos. Em frente, um peregrino que precisa enxergar os sinais dentro de si.

Então, qual direção seguir? Para esta pergunta sempre temos a mesma resposta: “Oiça o coração!” Pois ele conhece os passos que conduz ao ponto de decisão e será sempre o melhor conselheiro para definir a direção. Já a respeito de qual variante é a mais adequada, Finisterra ou Muxia, são distintas e com características muito particulares.

Na opção de seguir direto a Finisterra destacamos, por exemplo, a vista que surge no horizonte, ao alcançar o fim da subida que antecede Cee, companhia constante até o fim do mundo, onde estão localizado o mar o zero. Enquanto que na variante em direção a Muxia, o encontro com o mar é marcado para a última etapa.

Contudo, desde Finisterra ou Muxia há a opção marcada nos dois sentidos.

Marco dos caminhos de Santiago, Finisterra - Muxia
antes do fim

Não apenas cheira a mar a última etapa, como o oceano já domina a paisagem e uma onda de alegria e entusiasmo conduz o passo. Afinal, o fim está próximo e tanto o coração como a cabeça estão eufóricos. O corpo reage diferente do caminho anterior, está mais forte, veio preparado, nada e ninguém é mais como era antes. Então, é hora de jogar-se aomar e lavar a alma pelo feito. Além de queimar tudo aquilo que já não lhe cheirava bem e jogar ao vento as cinzas das dores trazidas no peito.

Assim sendo, e em conformidade com a lenda, só resta agora eleger o setor e melhor lugar na arquibancada, para apreciar o espetáculo do deus Sol que majestoso no horizonte, leva as cinzas daquele que um dia fora, para renascer na manhã seguinte. Enquanto isso a vida continua por um caminho, que até pode não ser novo, mas certamente, possui uma nova luz.

Mergulho no mar, Caminho Finisterra
Rituais em Finisterra, Caminhos de Santiago
Pedras sagradas, Cabo Finisterra
Considerações finais

Por fim, é bom saber que Negreira é o único lugar que dispõe de um multibanco até alcançar Cee Além disso, os albergues municipais não aceitam pagamentos com cartão, por isso é importante ter valores em espécie para pagamentos ao longo do caminho.
Da mesma forma, não esqueça da credencial, pois sem ela não é possível pernoitar nos albergues municipais.
E por último, para apreciar o pôr-do-sol o farol de Finisterra é o ponto mais popular. No entanto, próximo às Pedras Salgadas a vista é panorâmica e silenciosa. Enquanto na Praia Mar de Fóra, assiste-se ao espectáculo com os pés da areia.

No mais, siga as setas do seu coração e acomode-se bem onde ele te levar. E se quiser percorrer mais Caminhos de Santiago como o Caminho Português Interior de Santiago ou o Caminho Sanabrés que percorremos desde Portugal ou mesmo quaisquer dos caminhos de Santiago a Roma, siga conosco e não esqueça de partilhar com os amigos e assistir ao vídeo, logo abaixo.

Ultreia!

Pôr do sol nas pedras sagras, Cabo Finisterra

Veja o
Caminho Finisterra
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