Via D’ella Costa é uma antiga Via Romana, na região italiana da Liguria. E assim como a Via Aurélia e Via Francigena, integra parte dos Caminhos de Santiago, sendo então uma importante ligação entre Santiago de Compostela e Roma, em alternativa a Via Dolomitia que segue pela região alta dos Alpes marítimos.

Ben venuti in Itália

Bem vindo aos tons pastéis e janelas verdes em casas-torre, à beira de enseadas com barcos cobertos com lonas de listas azuis e brancas. Poderiam ser apenas vilas de pescadores, mas estamos falando de Itália, um país que inspira romance e onde tudo que poderia ser simples, é histórico ou hollywoodiano.
Não o bastante, aromas de massa com queijo derretido no forno a lenha se mistura com o da maresia. Enquanto o pesto genovese une-se à disputa sobre predileção, todo o ambiente emoldura “La doce vida”.  

Via della Costa de bicicleta
Os altos e baixos do caminho

Mas, nada de se entregar ao “Dolce far niente” pois todo o percurso da Via D’ella Costa, exige esforço para vencer o terreno rochoso e acidentado. Nesse sentido, o percurso é um verdadeiro desafio para qualquer perna, seja pedalando ou caminhando. No entanto, logo desfruta-se o prazer de percorrer incríveis vias ciclopedonais à beira mar.  

Dessa forma, a rota avança em direção a Roma ao longo da Costa, inicialmente, entre plantações e estufas costeiras. Porém, enquanto estruturas metálicas, que repõem trechos desaparecidos do penhasco, acrescentam desafio a quem sofre de vertigens, as vistas generosas compensam. De tal forma, que surge tempo para um dilema, dando voz ao antigo fascínio pelo Mediterrâneo que dá o tom e incentiva à pedalada, ou progressão, Afinal, o tom das águas é verde ou azul?

um percurso de campeões

Em outras palavras, o início do trajeto é exigente. Mas, vencida a barreira inicial, uma ecovia à bera mar é um presente de campeões. Afinal, estamos falando de 24km costeiro e suave entre Ospedaleti e San Lorenzo al Mare, totalmente dedicado as atividades ciclopedonais. Ou seja, nada mais nada menos, que a galeria  “Capo Nero” ou “Galeria Milano-San Remo”, totalmente dedicada a clássica prova de ciclismo de apenas um dia, a classicissima.

Do mesmo modo, o percurso corresponde ao da classissima até Génova. Contudo, e apesar de vários trechos ciclopedonais, são 348 km desde a cidade de Menton na França até Sarzana, às portas da Toscana. Enquanto se passa por cidades como Imperia, Camogli, Sarzana e Genova. Mas, Moneglia e, sobretudo, o Parque Natural de Cinque Terre, compõem um desafiante conjunto de desfiladeiros, lembrando que na Itália, plana só mesmo a pizza. O mais, é mar e monte.

Via della Costa, Santiago - Roma de bicicleta, Génova
histórias de pescadores

E por falar em mar, definitivamente, esta não é qualquer Costa, pois nela está Génova, que além de abrigar o porto e a memória de antigas navegações, disputa com outros territórios a nacionalidade do navegador Cristóvão Colombo. No entanto, sobre isso, é curioso saber que o navegador, escrevia em castelhano mesclando palavras em português, mesmo quando a correspondência era endereçada a Itália.

Mas, deixemos as controvérsias de nacionalidade à parte e vamos a outras curiosidade desta que é uma das mais antigas cidades da Europa. Pois, se de Génova saiam navegações para todo o mundo, nelas seguiam sacos e mercadorias envoltos em um determinado e singular tecido azul, na época chamado o “azul de Genova”. Pronunciado como “blu de genes”, o que no acento inglês facilmente se tornou o …“blue jeans”.

Pois é, é isso mesmo, na Itália, até marinheiro dita moda. Porque ao confecionar calças resistentes para o trabalho com o tal tecido azul, deram origem as calças que hoje conhecemos como calças blue jeans.

Ou seja, Cristovão Colombo pode até não ter nascido em Génova mas, a calça jeans seguramente é genovesa.

Praia de Camogli, Via della Costa
encantos à beira mar

E tal e qual, como os peixes nas redes de pescadores, as aldeias da Liguria arrastam corações. Como Camogli com um colorido de casas que chama atenção tanto quanto o significado do nome, “Casa das Esposas”. A origem do nome está no facto desse ser um território, na maior parte do tempo delas, já que os maridos estavam constantemente no mar. E além disso, em dias de nevoeiro, esse colorido fazia o papel de farol e guía no retorno do mar.

Ao mesmo tempo, a altimetria alternada, revela jóias como Moneglia, guardada entre dois promontórios. A seguir, surge o último trecho ciclopedonal que antecede o grande desafio da travessia. O que significa dizer que chegamos ao ápice do conceito de mar e montanha. Num conjunto de cinco, e inesquecíveis, coloridas vilas centenárias à beira mar, ladeadas por penhascos, as Cinque Terre.

Todavia, este cenário põe à prova os corações, não apenas porque apaixona, mas por vertiginosas alternâncias de altimetria, variando entre o nível do mar e a altitude da montanha. Mais sorte, tem os que seguem caminhando pois o trilho entre as aldeias é menos exigente, contudo, não menos memorável.
Dito isso, o que significaría perder o freio da bicicleta nestas condições? Bem, é preciso ter sangue frio e sola de sapato para chegar até La Spezia onde pode solucionar o problema. Daí então, recupera-se o fôlego, antes de seguir pela Toscana através da Via Francigena até Roma.

ser peregrino na Via D’ella Costa

Como toda e qualquer caminho é necessário possuir uma credencial, mas como em qualquer outro, há particularidades, além do terreno em si. Uma dessas particularidades, e a que mais preocupa uma peregrinação é a respeito de hospedagem.
Nesse sentido, a Vila D’ella Costa conta com a continuidade de acolhimento que encontramos na Via Aurélia, oferecendo hospedagem peregrina em algumas paróquias. Como, por exemplo, e a se destacar, a paróquia de Imperia sob o comando de Dom Paolo, na Igreja da Sagrada Familia. Da mesma forma, é bom saber que também lá pode-se obter a credencial do peregrino. Sem contar, o bom acolhimento da comunidade, esmero e zelo de Dom Paolo.

Contudo, a região do Parque Natural de Cinque Terre exige atenção e estratégia, caso contrário corre o risco de ter todo o orçamento comprometido. A respeito disso, talvez seja necessário alcançar La Spezia numa travessia passando pelas vilas numa só etapa.
De qualquer forma, e em todos os casos, é necessário telefonar antes consultando a disponibilidade de acolhimento e programar a chegada, em qualquer dás paróquias. Assim, confirma-se, ou não, a possibilidade de acolhimento e define-se as etapas.

Via della Costa, Moneglia, Itália

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