Dos tapetes que voam sempre ouvimos falar. Mas, descobrir os especiais para bicicleta e conhecer o próprio Ali Bábá em uma cidade azul das paredes ao piso, é uma pequena mostra do que vem pela frente nessa travessia por Marrocos.

| O que é | Uma cidade toda azul
| Onde fica | Marrocos
| O que ver | A vida em uma medina, a cultura do islão no Rife, crianças correndo felizes  por todos os lados, uma gastronomia incrível.
| Como chegamos | De bicicleta
| Quando fomos | Dez/2017

|Ceuta – Chefchauen | 120 km | 2 Etapas

Para chegar a Chefchauen você precisa encarar uma grande subida por vias movimentadas das montanhas do Rife. Veículos antigos, condução perigosa e a falta de acostamento/berma, tornam a pedalada muito difícil.  Em dias com chuva isso pode não ser uma boa ideia, foi o que aconteceu ao ciclista que entrou connosco no país,  arriscou subir enquanto nós decidimos aguardar por um dia em Tetouan.

Nós o reencontramos às porta de Chefchauen, havia decidido não mais seguir viagem por Marrocos depois da dura experiência do trajeto no dia anterior. A proposta de um marroquino de vender-lhe um tapete “especial para bicicleta” e chama-lo de Ali Babá, não tornara a experiência motivadora o suficiente para seguir pelo país.

De fato, as primeiras impressões para quem entra em uma bicicleta pela fronteira de Ceuta, não são animadoras. A zona fronteiriça são 100 metros  desconfortáveis que, unido a dura subida não contribui nas primeiras impressões do país. Concluída a travessia , podemos dizer que conhecer Chefchauen é uma das melhores experiências em Marrocos. No entanto, em todo o país você precisa estar disposto a conhecer uma cultura muito diferente da ocidental descobrindo os seus encantos e, estar consciente de que haverá momentos onde o melhor item que poderá ter na bagagem, é a paciência pelo assédio que o turismo provoca em Marrocos.

Chegamos a cidade no dia de aniversário do profeta Maomé, uma data muito especial para o Islão.

Imensidão-azul-em-Marrocos

Um dos prazeres desta cidade é perde-se por sua medina explorando as suas ruelas, encantando-se com os  variados tons de azul. Não há unanimidade na sua origem, alguns atribuem à comunidade judaica, habitantes de Chauen por séculos, em referência ao azul que tingia objetos sagrados no velho testamento e servia como uma lembrança constante do poder de Deus sobre aquele grupo de refugiados ou, que queriam reproduzir a visão do paraíso em sua nova morada. Outros acreditam que a cor serve para espantar os mosquitos. E, há uma lenda que atribui a promessa de um rei mouro à sua rainha Andaluza, como lembrança da sua terra.

O resultado é que, se espanta os mosquitos não sabemos. Mas, que atrai turistas do mundo inteiro, nós pudemos comprovar. Sendo obra a pensar no sagrado ou pura alucinação dos sentidos entorpecidos pelo Kif, a consequência é uma cidade com portas, paredes e pisos totalmente azul e muita gente a tentar registrar a melhor imagem da versão do “paraíso” azul na terra.

 

As-Chefchauen

Xauen não é só, incrivelmente  azul. As crianças brincam nas ruas com as suas bolinhas de gude/berlindes, enquanto no forno comunitário assa-se o pão de cada casa que com o queijo de cabra da região, e um pouco do bom azeite e as boas azeitonas da região, compõem uma refeição dos deuses.

 

Da única mesquita de minarete octogonal do mundo ouvimos o salá, enquanto os olhos passeiam pelos artesanatos de muitas cores a caminho da zona do rio onde as mulheres lavam roupas e as crianças brincam no frescor da água que, mantém refrigeradas as laranjas para o suco/sumo ao lado de chapéus de palha enfeitados em referência aos que são usados pelas mulheres berberes rifenhas (os originais não levam tantos enfeites).

 

Mesquita-em-Chauen,-minarete-Octagonal
Gatos-em-Chefchauen
Tapetes-voadores
Imerso-no-Azul-de-Chefchauen
Olhando-Chefchauen-de-suas-muralhas

Seu nome vem de “axauen” que significa “os chifres” em referência aos dois picos ao lado da povoação. Chefchauem é o ponto de partida para quem quer conhecer a zona das Montanhas do Rife e gosta de caminhadas.

Nós deixamos a bicicleta no hotel do Dar Terrae onde nos hospedamos e seguirmos por 4 dias, explorando as montanhas do Rife, em uma caminha por estas montanhas e depois seguimos conhecendo Marrocos pelo interior nesta rota que iniciamos em Portugal. O percurso completo pode ser visto no post Prá lá de Marrakeche em uma bicicleta de Portugal a Marrocos.

Muralhas-da-Mesquita-de-Chefcharuen

Veja no mapa, a rota completa de nossa travessia por Marrocos

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