Os 3 grandes picos a serem ultrapassados,  das montanhas do Atlas, conduzem por cenários inesquecíveis e únicos. Casas feitas em adobe, estação de esqui, macacos berberes e uma linda floresta de cedros, seguida por picos de neve e muitos quilómetros desérticos onde o mundo se torna monocromático em tons de terra. Mas quando menos esperar, surgirá a sua frente a explosão de verde e vida dos oásis, o milagre do rio Ziz. Então estarás pronto para a o silêncio do deserto, as dunas de Erg Chebi.

| Onde fica | África | Marrocos
| Fès – Saara | 495 km – 7 Etapas 
| O que é | Viagem de bicicleta pelo interior de Marrocos
| O que fazer | Experenciar um estilo de vida da idade média, ver macacos, florestas de cedros, apreciar  lindas paisagens do alto das montanhas do Atlas, dormir em oásis, ouvir o som e aprender com a sabedoria do deserto.
| Quando | Dez/ 2017
| O que não pode faltar| Saco-cama e lenços umedecidos/toalhitas

Fontes em Fés
Macaco Berbere em Ifran
Oasis de Source Blueue de MesKi
Dunas-de-Erg-Chebbi,-Marrocos
Ep-16-Deserto-de-Merzouga.Erg-Chebi
Paisagem no Alto Atlas após Ifran
 
Etapa 1 | Fès a Azrou | 85 km

Fora da medida, Fés é uma grande e organizada cidade e desde a entrada em Marrocos, este é o primeiro lugar que encontramos uma oficina para serviços básicos da bicicleta, como travões e transmissão. Importantes ajustes para enfrentar a grande subida em direção a Imouzzer, uma pequena cidade que pode ser uma opção para pernoitar e abastecer.

A grande subida tem o seu ponto mais alto, em Ifran aos 1600mt de altitude, uma cidade com ares europeus e uma bela ciclovia por ruas largas, ordenadas e limpas. Surpreende todos que imaginam um Marrocos desértico.

A escultura em homenagem ao ultimo leão do Atlas, é uma referência e facilmente localizada pelo grande aglomerado em seu entorno para fotografias. Esculpido por um soldado alemão durante a II Guerra Mundial.

Para orçamentos modestos, Ifran não é a melhor opção de hospedagem considerando os elevados preços. Os atrativos circuitos e passeios aos lagos, talvez possam justificar os custos da descoberta de um Marrocos dos Alpes com estância de esqui.

Pedalando nas cordilheiras do Atlas no inverno
Descida após Ifran

Até Azrou segue-se em uma boa estrada e a belíssima vista panorâmica é um convite irrecusável para a contemplação. Ao lado do miradouro há lojinhas com artigos que seguirá presente em todo o percurso até Merzouga, fósseis de todos os tipos, minerais e rochas.

Depois de tanto esforço, uma incrível e maravilhosa descida intercalada por pequenos planos segue até Azrou, onde um clima muito frio, sobretudo no inverno, que as básicas acomodações  e sem sistema de aquecimento, torna em um desafio a mais.

Azrou significa “Rocha” e quando se chega a tempo, apreciar o por-do-sol do alto da colina é indispensável.

Para o jantar as brochetes, espetinhos de carne, são uma boa opção mas, é no pequeno-almoço/café da manhã dentro da medina, que vivemos o grande momento gastronómico. Os “msemmes” com mel e queijo, acompanhado de batido de abacate ou iogurte marroquino por 30 DIHANS para duas pessoas. Chega a dar água na boca só de lembrar.

Alto Atlas - Ifran - Maroc
 
Etapa 2 | De Azrou a Timahdite | 51 km

Um primeiro reparo de furo antes da grande subida, pode gerar apreensão se sua tandem for uma orbita urbana como era a nossa, o triângulo traseiro dificulta a manobra e isso nas primeiras horas do dia, chega a minar as forças.

Mas, correndo tudo bem é hora de iniciar a dura e bonita ascensão que conduz ao encontro com macacos berberes e dão ânimo, enquanto se recupera o fôlego do esforço, com média de velocidade entre 5-6 km por hora.

Cedre Gouraud
Parque Nacional de Ifran

Seguir em frente é uma opção que as temperaturas baixas de inverno pode estimular. Mas, o desvio à esquerda, no exato local onde há mais um conjunto de lojistas, conduz-te pela floresta de cedros até o “CEDRE GOURAND” um cedro com idade estimada em mais de 800 anos, que é mantido como grande atrativo por sua magnitude.

A floresta muito bonita é frequentada por famílias que fazem ali piqueniques ao estilo árabe. Em Marrocos definitivamente não se passa fome e aprendemos muito sobre qualidade na alimentação em qualquer circunstância, a “tagine” é bem versátil e  utilizada das mais variadas formas, da cozinha de casa até um picnic na floresta.

Depois deste “refresco” opcional com direito a ovelhinhas brancas da cabeça negra, voltamos ao percurso para alcançar a maior elevação deste trajeto, 1965 metros de altitude com um cão de guarda a nos fazer ganhar uma inacreditável força nas pernas antes de desfrutamos de uma descida suave até Timahdite. A comida sendo confecionada na rua e a porta do talho/açougue, fazem da avenida um festival gastronómico.

Ficamos em um simpático albergue, a seguir à cidade, onde pode-se encomendar truta para o jantar, especialidade da casa.

Pedalando-no-Alto-Atlas,-Marrocos
Macacos-berberes,-Atlas,-Marrocos
Singe Berbere -Maroc
 
Etapa 3 | De Timahdite a Midelt | 92 km

A subida continua sob temperaturas incrivelmente baixas, com sorte ainda escapando da neve prestes a cair. Nesta etapa chega-se ao ponto mais alto da travessia, 2100mts de altitude, como recompensa, a vista dos pontos nevados em meio a uma paisagem desértica é extraordinária.

A etapa, é  também uma divisão entre dois mundos. Até aqui Marrocos se mostrou verde e com abundância de água, daqui em diante muda-se a palheta de cores e mergulha-se nos tons do deserto cercado por uma cadeia de montanhas com picos nevados. Em uma paragem para um chá no restaurante à beira da estrada, percebemos que acabávamos de ingressar no Marrocos do imaginário ocidental, djalabas com volumosos turbantes azuis e o doce calor do deserto que já se sente, mesmo com as baixas temperaturas da montanha, um novo e fascinante mundo.

IMG_9053
ep 10 marrocosjk
 
Etapa 4 | De Midelt a Rich | 83 km

Ainda resta uma grande subida, em torno de 2000 metros de altitude. Com etapas definidas de acordo com pontos de abastecimento de água e alimento, este dia oferece uma das pedaladas mais introspetivas dessa travessia.

Uma certa solidão sobre rodas de um Marrocos que inquieta os sentidos pelo silêncio da paisagem, rompido apenas por eventuais seminómadas que cruzam o caminho, cuidando dos seus rebanhos ou comercializando produtos nas poucas aldeias que existem e a saudação local Salam Aleicum. “Que a paz esteja sobre vós”.

Longa estradas na travessia pelo Alto Atlas
Cicloturismo em Marrocos

Carros do exército que cruzam as estradas nos faz lembrar que a fronteira com a Argélia está bem próxima. Por ali são poucas as localidades e opções para comer, por isso recomenda-se ter uma ração de emergência para o caso de valores criativos para uma refeição.

Berbere cuidando do rebanho no Alto Atlas
 
Etapa 5 | De Rich a Source Bleue de Meski | 73 km

O dia começa com a passagem pelo túnel dos legionários na encantadora Garganta de Ziz. Um espetacular cenário alimentado pelo rio que “morre” no deserto. Mas, não sem antes dar vida a um extenso palmeiral que vai se mostrando aos poucos, entre construções feitas em adobe que se fundem a paisagem de mesma cor.

Uma nova subida, a beleza da barragem e a pedalada em um dia de domingo revelou a paixão marroquina pelo futebol. Ao passarmos por Meski presenciamos uma torcida na arquibancada tão animada que parecia fim de campeonato.

Chegamos então a um parque de campismo em no meio de um oásis, o Source Blueue de Meski.

Tandem Bike Maroc
Ksar de El Meski

Ao lado do parque, estão as ruínas de um antigo ksar de El-Meski, um lugar para apreciar um pôr do sol de inacreditáveis tons de rosa e laranja sobre o extenso palmeiral onde mulheres lavam roupas e depenando galinhas, entre hortas e tamareiras.

É impressionante a explosão de vida que se presencia em um oásis.

Para comer, pode ser que a “sorte” lhe sorria e um berbere o o convite para estar com sua família e desfrutar de alguns momentos da vida local. Uma experiência curiosa e rica que, “com sorte” o fará volta para a tenda com um tapetinho especial para bicicleta, em baixo do braço.

São os negócios das arábias que fazem parte da cultura local que  prevalecem neste ambiente, através da hospitalidade berbere e os costumes plantados pelas caravanas que seguiam por esta rota. 

Ruinas do antigo ksar de Meski - Marrocos
 
Etapa 6 | De Source Bleue de Meski a Erfoud | 60 km

O Rio Ziz alimenta uma série de oásis e dá vida a uma paisagem de terra e pedra. Ao sair do parque de campismo vê-se a grandiosidade deste palmeiral com a possibilidade de seguir pela estrada ou em meio a ele através de um acesso, logo a seguir ao miradouro onde muitos carros de turismos, indo ou vindo de Fés, param para algumas fotos, compras e o tradicional chazinho.

A vida local entre palmeiras e construções em adobe, pode trazer imensa alegria ao cruzar com muitas crianças, encantadas com a tandem, acompanhando parte do trajeto  nas suas bicicletas, correndo, cumprimentando e convidando para jogar futebol.

Algo que marca profundamente são os sorrisos nos olhares, unido ao tradicional cumprimento árabe de pôr sobre o coração a mão, quando se saúda com a expressão “A paz esteja sobre vós”, e possui o significado de “que vem do coração”. Algo simples, inesquecível e marcante pela força e poder do olhar, um gesto e um sorriso. Sobretudo em dias que ponderam-se algumas coisas como os prós e contras de viajar em uma tandem. A resposta pode vir de uma forma linda e marcar para sempre. 

Nas proximidades de Erfoud já se percebe que o uso da bicicleta por ali é uma realidade e a vida segue num ritmo mais intenso. Depois de tanto tempo na solidão da paisagem desértica, passa-se a conhecer um pouco mais da vida marroquina.

Estamos muito próximo do tão sonhado deserto das areias, o Sahara.

A força de um sorriso
 
Etapa 7 | De Erfoud a Merzouga | 57 km

Erfoud é a primeira cidade onde se presencia a vida marroquina em sua essência. O colorido dos movimentados e ruidosos souks, vestimentas com capuzes, o negro das vestes utilizadas pelas mulheres nessa região, o verde da menta e muita bicicletas que vão e vem sob os raios dourados no amanhecer, enquanto se desfruta do já habitual crepe, para então seguir rumo às dunas de Erg Chebbi.

Em Erfoud é possível fazer alguma manutenção básica na bicicleta antes de seguir,  isso nunca é demais.

Merzouga é a cidade onde há muitas opções de hospedagem e se pode deixar a bicicleta para se aventurar nas dunas, com serviços contratados ou por conta própria. O trajeto até lá pode ser feito por uma estrada asfaltada ou por trilhos com o auxílio do GPS pelo deserto, desfrutando da ausência de carros, do calor do sol e uma atmosfera incrível de conquista e sonho. Depois de superados os altos e baixos das altitudes, sem nenhum problema em uma tandem urbana, antecipar-se e escapar das incidências de neve,  sentir o calor do sol na pele, às vésperas da passagem do ano é uma alegria crescente que explode e faz até os desafinados cantarolar, dando graças a Allah.

ep 15.i
Deserto-Sahara,-Marrocos
Ep-16-Deserto-de-Merzougaed
29340264_916680681833414_6870081123762831360_n

Hora de desfrutar e contemplar, o silêncio e a harmonia que só o deserto oferece. Um poema Tuareg diz muito sobre a sabedoria do deserto que compreende-se bem ao caminhar por essas areias e acampa-se tendo apenas as estrelas como companhia. Do alto da duna maior, o batuque da noite em que o ano deixara de ser 2017 para amanhecer 2018, avistando a fronteira com a Argélia e iniciarmos uma nova rota em continuação a travessia pelo deserto de Marrocos, a Rota dos Kasbhas nos espera. Mas, antes vale conhecer a música do deserto com os Gnawas, mais um dos encantos do deserto. 

Iniciamos a rota em Portugal e o percurso completo pode ser visto no post Prá lá de Marrakeche em uma bicicleta de Portugal a Marrocos.

Caravana-no-desderto,-Marrocos

Veja no mapa, a rota completa, desde Portugal e localização das etapa.

    Encontre aqui a melhor hospedagem para sua viagem e faça a reserva aqui pelo nosso site.
    Booking.com

    Assista a playlist com todas as etapas de Fés ao Saara