Verdes vales e lindas cascatas revelam que Marrocos é muito mais que só areia. As montanhas do Rife nos conduz a uma ponte para o divino.

| O que é | Um Trekking nas montanhas do Rife
| Onde fica | Marrocos
| Quanto tempo | 4 dias – 63 km
| O que fazer | Percorrer trilhos e conhecer a cultura berbere rifenha
| Quando fomos | Dez/ 2017
| O que não pode faltar| Saco de dormir, toalhas e lenços umedecidos. De uma forma geral a travessia é relativamente fácil mas, as duas últimas etapa que percorremos conforme vê-se nos videos, exigem alguma técnica, uso de bastões, uso de gps e não esqueça o kit de primeiros socorros.

Trekking no Riff
Trekking, Marrocos
RifF,-MACOC
Visata da Ponte de Deus em Marrocos

No norte do continente africano os nossos sentidos foram tomados por um verde exuberante entre vales de sonhos. Acompanhados por um guia berbere, seguimos por zonas rurais, dormindo em casas de famílias locais, conhecemos costumes e a cultura rifenha que habita às montanhas, no parque nacional de Talassemtane.

A montanha | Etapa 1 | 17 km

Saindo de Chefchauen, depois de um dos maravilhosos pequenos-almoços/café da manhã marroquinos e pouco depois da primeira salá, iniciamos a caminhada por um lindo bosque, deixando para trás a cidade que do alto contemplamos o seu azul, muito antigo. Até pouco tempo as cores de Chauen eram o ocre da terra e o branco do calcário, existente em abundância na montanha, disto hoje resta apenas as ruínas de fornos de cal. Assim como o azul tomou conta da cidade, por suas montanhas outras atividades tornaram-se mais atractivas que o cozimento do calcário.

Em geral, a caminhada não é muito exigente. Mas, aos 11 km alcança-se os 1800 de altitude. Hora boa para lanchar contemplando uma das muitas paisagens espetaculares. Em termos de subida este é o dia que mais exige, nessa travessia de 4 dias.

Rochas esculpidas pela natureza chamam a atenção e diverte-nos enquanto o nosso guia nos apresenta e colhe ervas aromáticas para presentear o nosso anfitrião. Ser acolhido por uma família local e vivenciar um pouco o seu dia a dia, é sempre uma experiência enriquecedora e ansiávamos por isso.

Se não escalar a montanha, você nunca poderá apreciar a vista.– Pablo Neruda –

O abrigo é de fato um alojamento local em “meio” a família, não necessariamente a casa da família. Tão pouco se trata de um “hotel”. Acontece que os costumes concedem ao homem as funções de negócios e sendo assim, a mulher prepara o alimento e ele, acolhe os hóspedes e serve à mesa. Logo, o nosso convívio fica limitado ao chefe da família que neste  alojamento trata-se de um simpático senhor que insiste com os filhos em manter a simplicidade do lugar e permanecer ao lado dos hospedes com conversas e risadas. O valor do alojamento incluí o jantar e pequeno almoço/café da manhã e custa 500dh para duas pessoas.

Em uma sala azul anil aquecida com um forno antigo, para vencer o forte frio de inverno, observa-se aquela forma simples de estar na vida, folheando o livro de memórias de alguns caminheiros que por ali passaram. Enquanto na cozinha se prepara uma tajine e da parede nos observa o rei e a família real, item obrigatório nas paredes marroquinas.

A pequena mesquita da aldeia, fora construída com o dinheiro das 6 famílias que ali vivem e mantém as tradições religiosas herdada dos árabes por estes povos berberes que, não abandonam as montanhas.

Vista-da-montanha,-Chefchauen
Desenho-das-montanhas-do-Rife
Albergue, Azilane
As-florestas-do-Rif
O Batuque | Etapa 2 | 17 km

O Parque Nacional de Talassemtane é generoso em beleza natural e percorre-se por itinerários relativamente fáceis.
Na segunda etapa fomos aos 1500metros acima do nível do mar, com ganho de elevação de 600 metros, bem mais suave que a etapa do dia anterior.

A cultura da cannabis está presente em grandes áreas de plantações por estas montanhas.

Por todos os lados vê-se canos de irrigação para a plantação que faz parte da cultura local desde muitos séculos, impulsionado pelos estímulos monetários de quem se arrisca e aventura-se na comercialização da erva ilegalmente.

Na região do Rif, é permitido o cultivo e consumo aos locais, não é permitida a comercialização, tão pouco a permissão estude-se a ocidentais. No entanto, o som que se ouve durante toda a travessia nesta época, mostra-nos que esta se tornou a forte atividade da montanha.

Enquanto nas medinas nos acostumamos com a sonoridade do chamado à oração, na montanha é o batuque do processamento da erva que dita o ritmo.

Esta é uma característica a não ser desconsiderada para quem pretende percorrer estes trilhos. Eles estão marcados, na oficina de turismo de Chefchauen e no Eco-museu na entrada do parque é possível obter mapas e indicações. O caminhante é muito bem vindo nas zonas dos trilhos. Mas, a presença de um guia garante seguir o percurso sem erros e evita situações que gerem insegurança.

São muitas as mulheres a trabalhar pela montanha, elas carregam enormes fardos de lenha, utilizadas no forno e na lareira. Esse é um trabalho de mulher que lhes custam uma velhice com costas tão curvas que não conseguem abrir a porta, pelo fardo que carregara toda a vida. De acordo com o guia, o trabalho dos homens é na terra, com a cannabis e ir ao mercado. Também é das mulheres, a tarefa em dias de feira, de ir vender as ervas aromáticas 🌿 

Rife, trekking
Montanhas-do-Rif
Picnic-nas-montanhas-do-Rif
Trekking, Marrocos
SEGUNDO-dia,-caminhada-Rife,-Marrocos
Caminhada-Rife,-Marrocos,-Etapa-2
Trekking, Riff, Maroc
A cascata | Etapa 3 | 16 km

Há um canto sereno que assobia, nos regantos lagos e cachoeiras, de uma senhora faceira de beleza e ternura. A mãe das águas doces.

Eis aqui um momento de coroação e magia nesta caminhada.

O nosso trilho seguiu pelo vale montanhoso a descer por toda a manhã. Com deslumbramento e contemplação ouvindo apenas o som da natureza, sem nenhuma interferência humana, coroarmos a nossa descida desde o alto da “cascata maior”.

Sim, ela é linda. Mas, o caminho até ela é fenomenal.

Você pode seguir o sentido inverso do que fizemos e dedicar apenas um dia a caminhada para conhece-la desde Akchour, onde pode-se hospedar ou chegar de carro, seguindo por um lindo e fácil trilho, imerso no verde do vale, sem a necessidade de guia.

O lugar é frequentado por muitas famílias marroquinas e turistas, por isso há vários lugares onde pode-se tomar um chá ou até pedir uma tagine a apreciar a paisagem ouvindo o barulhinho da água a correr.

Caminhar-pelas-montanhas-da-Africa,-Marrocos
Trekking,-Rif,-Marrocos
A-bela-montanha-do-Riff
Riff, Maroc. Cascata
A ponte | Etapa 4 | 13 km

A Ponte de Deus é uma formação natural que coroa as descobertas do Rife e está a aproximadamente 3 km de Akcjhour. Uma ponte construída pelo próprio rio ao longo dos anos. É a natureza nos lembrando que é preciso e, ensina a construir pontes .

Chegar até ela exige atenção às pedras lisas pelo contorno da água, e implica em ter que atravessar um rio raso. Se não se importar em se molhar,  é possível atravessa-lo evitando o equilíbrio sobre as pedras.

A meta nessa caminhada era alcançar o topo da montanha e atravessar a ponte. Algo que carrega por si só, um simbolismo aplicável a viagem e a vida,  aquele que conclui a  travessia,  não é o mesmo que a iniciara.

Empreender um trajeto é se dispor a viver momentos de sabor incomparável. Mas, sobretudo desfrutar da felicidade e crescimento que ocorre no percurso.

Concluímos aqui nosso primeiro percurso a pé por Marrocos no total de 61 quilómetros em 4 dias com um acumulado de nível positivo de 2400 metros de altura, pelo parque nacional de Talassemtane.

Iniciamos a rota em Portugal e o percurso completo pode ser visto no post Prá lá de Marrakeche em uma bicicleta de Portugal a Marrocos.

Aquele que conclui a  travessia,  não é os mesmo que a iniciara.

Rif,-Marrocos
Trekking,-Rif,-Marrocos,-ponte-de-deus
Trekking-no-Rif
Transparentes-águas-em-Marrocos
Sobre-a-Ponte-de-Deus,-Chefchauen,-Marrocois
Trilho-para-a-ponte-de-deus-em-marrocos
A-beleza-das-montanhas-do-Rif,-Marrocos

Veja no mapa, a rota completa de nossa travessia por Marrocos

    O mapa mostra a rota completa da nossa travessia e bicicleta e algumas caminhadas por Marrocos, como as Gargantas de Dadès, Todra, as dunas de Erg Chebbi  além dos oásis de Skoura e Fint.

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