Depois de percorrer Marrocos, passando por montanhas e florestas, macacos, vales e gargantas. Atravessar o deserto e conhecer a incrível arquitetura dos kasbahs, é hora de conhecer o mar das terras de Magreb. Seguimos pela região que produz o açafrão e o óleo de argan, contornando os picos nevados das montanhas do atlas.

| O que é |Viagem de bicicleta pelo interior de Marrocos
| Onde fica | Marrocos
|De Ait Ben Haddou a Agadir | 364 km
| Quanto tempo | 4 etapas ciclismo 
| O que fazer | Conhecer a região que produz o açafrão e o argon e chegar ao mar.
| Quando fomos | Jan/ 2018
| O que não pode faltar| Saco Cama e Lenços umedecidos

A-caminho-de-Agadir,-Marrocos,-Pedalando
A-mirada,-Marrocos
Pequena Marrakeche.lok
Vale-Paraiso,-Agadir

A incidência de neve, no período que estivemos percorrendo o país, chegou a cobrir as areias do Sahara e  Ouarzazate transformou os seus tons de terra em completo branco, após poucos dias da nossa passagem pela cidade. Por isso, o passo até Marraqueche estava fechado deixando como única possibilidade contornar o Atlas, em direção a Agadir.

Neste percurso não tínhamos muitas informações sobre o que encontraríamos. Três grandes picos com grandes distâncias entre as localidades,  eram os últimos desafios da travessia por Marrocos.

Etapa 1 | Ait Ben Haddou – Taznakht | 77 km

A etapa mais curta desde trajeto, é também a mais dura. Dois picos  com subidas muito íngremes, exigem um bom estoque de resistência para vencê-las.

A paisagem desértica persiste no cenário. Mas, ao fim do dia vimos algo que nos extraiu a exclamação: “Olha, uma árvore!” Então, nos demos conta do tempo que já não víamos outras cores além dos tons de terra do deserto.

Taznakht é conhecida pelos tapetes artesanais, berbere. No pequeno “hotel”, nada de aquecimento e o seu saco cama fará questão de compor o ambiente para vencer as temperaturas negativas ou sabatas podem ser muito bem-vindas para se sentires mais confortável nas humildes instalações. Esperar a água aquecer para o banho pode ser a boa desculpa para  sentar-se na esplanada e apreciar o vai e vem de pessoas e carros, num desfile de sofás sobre carros antigos, enquanto um vendedor espalhar as suas tâmaras na lona, pilhas de pães sendo equilibradas entre as mãos dos compradores entre os muitos carrinhos-padeiros,  a brasa vai sendo acesa para assar as brochetes que o cliente compra no talho/açougue ao lado, bem ali depois das sacas de erva para o chá, entre um cumprimento e outro. 

Conforme cai a tarde a vida em Marrocos vai ficando mais agitada e a fumaça da comida de rua toma conta da atmosfera. Os aromas e os sons tomam conta do ambiente enquanto senhores conversam tranquilos num canto, rapazes jovens e adolescentes passeiam de um lado a outro, abraçados, mãos nos ombros, brincando uns com os outros. É muito comum vê-los inclusive pedalando com as mãos sobre os ombros dos outros, o contato e brincadeiras entre os homens são símbolos de amizade e muito comum nas ruas.

O frio não afugenta ninguém para casa, o fim do dia é cheio de vida em Marrocos.  

A-estrada,-Marrocos
Cotidiano,-Marrocos
Venda-de-pão-em-Marrocos
Marrocos,-Picos-Atlas-a-caminho-de-Agadir-de-bicicleta

Etapa 2| Taznakht – Taliouine | 83 km

Duas montanhas entre os 1700 e 1900 metros de altitude é o trabalho do dia. Uma etapa solitária, como em quase todo o trajeto até Agadir.

Seguir com vento contrário, constante e forte, durante todo o dia, pode ser uma característica desta etapa.

O verde vai se fazendo cada vez mais presente e uma descida incrível aguarda-te nos últimos quilómetros do dia na região do açafrão.

Ali cruzamos com Nicole e Jonh, viajantes em uma tandem que vivem na Inglaterra e se conheceram pedalando pela China. Viajam sempre de bicicleta e tem sempre muitas histórias para contar aos netos quando regressa a casa. Uma fonte de inspiração. O único problema para eles era a subida que teriam que encarar no dia seguinte. A nossa grande descida é uma dura tarefa para quem segue na direção oposta.

 
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Etapa 3 | Taliouine –Taroudant | 110 km

A etapa mais longa de toda a nossa travessia traz consigo belíssimas paisagens com o verde do argan e as cabras em cima das árvores.

É curioso pensar que, sendo o olho de argan tão valioso, os camponeses permitam que as cabras comam o fruto, no entanto, isso não é por acaso. As cabras são verdadeiras operárias no processamento do argan e ao ingerir os frutos facilitam o processo seguido, após serem expelidos nas fezes.  As mulheres marroquinas são responsáveis por a coleta nas fezes, limpeza e segue no processamento. 

Os picos nevados do Atlas vão ficando par atrás em paisagem e altimetria. A “pequena Marrraqueche”, Taroudant, aguarda com grande agitação, rodas de contadores de histórias, souks, música, comida de rua e gente, muita gente se movimentando de um lado a outro entre muralhas imponentes que rodeiam a medina.

Mais uma vez as instalações no centro permite expectar a vida tão cheia de atrativos e, talvez esteja aí o motivo das cadeiras dos cafés, sempre cheios de homens, estarem sempre viradas para a rua. Observar a vida acontecendo é um habito por todo o país, e o que se vê é generoso em atrativos.

O souk é sempre uma viagem na viagem e dar uma volta para apreciar as “modas” é sempre uma boa pedida. Se for nos horários da salá, almoço ou que alguma necessidade implique na ausência do vendedor por alguns instantes, não representa problema maior que um tecido ou um cabo de vassoura, não possa resolver para “fechar a porta”.

Ao fim da tarde, sabe bem pedir um chá em algum café da praça e apreciar a espetacular vida marroquina, já com ares de despedida.

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Ep 26, dentro das muralhas, Marrocos
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Pequena Marrakeche.pe
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Tâmaras
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Etapa 4 | Taroudant – Agadir | 94 km

A etapa é longa. Mas, não possui nenhuma grande desafio afinal, já se está quase no nível do mar. Com a aproximação de uma grande cidade, as vias vão dando lugar a ciclovias e muitos carros.

O lixo e o caos no trânsito traz de volta as sensações da entrada em Marrocos. O cheiro de mar e as gaivotas no céu, é um retorno a algo familiar e um convite a voltar para casa. A nossa bicicleta exigia reparos na roda traseira e não encontramos solução em Marrocos. Mesmo em Agadir uma nova roda traseira, que partira o eixo como ato final da sua atuação em terras de Magreb, encontrou substituta quando pedalávamos além das fronteiras de Agadir com a intenção de progredir pela costa. 

Mas não fora uma decisão fácil, a costa nos pareceu interessante e a forte presença de ciclistas que viam na direção contrária, nos aguçava o desejo de seguir pedalando. A essa altura, adaptados ao ritmo de Marrocos, compreendíamos melhor a sua dinâmica e já sabíamos que não valia muito a pena intervir quando eles se propõem a ajudar. Cercam-te a falarem entre si na busca de resolver o problema, e não dão nenhuma hipótese de intervir. Só resta respirar, sorrir e esperar que concluam, que já está resolvido ou não há solução. Quando não há solução, para um “grande taxi” e põe um bicicleta tandem e atrelado, sobre o teto do carro, amarrada com algumas cordas, e você junta-se aos passageiros no interior do veículo  e, vamos embora! Só precisas ter disposição e acompanhar o ritmo. 

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A nossa aventura por Marrocos termina aqui. Mas, a experiência vivida nesse país seguirá connosco para sempre e, eleger o que fora melhor ou defini-lo é tarefa que talvez repetir a aventura, seja uma  forma de melhor traduzir ou apenas uma desculpa para voltar, Inshallah!!!

Shukran, Marrocos! 

Iniciamos a rota em Portugal e o percurso completo pode ser visto no post Prá lá de Marrakeche em uma bicicleta de Portugal a Marrocos.

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ARGAN,-Agadir
AGADIR.a-beira-mar
O mar em Marrocos

Veja no mapa, a rota completa de nossa travessia por Marrocos

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    Assista a playlist com todas as etapas da travessia por Marrocos.